A Coletiva

Feminismo anticapitalista, intersecional e transfeminista

Manifesto

A Coletiva reclama-se do feminismo anticapitalista. Somos feministas porque nos batemos pela igualdade. Somos feministas porque não aceitamos que a diferença seja entendida como inferioridade, pois entendemos que ela é força. E somos feministas anticapitalistas porque sabemos que a igualdade não é possível num sistema de dominação, violência e exploração. Não nos basta a igualdade de género, porque o que queremos é superar o sistema que produz as desigualdades.

Sabemos que todas partilhamos uma história de subordinação comum, mas também sabemos que pelo facto de partilharmos uma mesma sujeição não somos iguais entre nós. O que determina o nosso lugar nas relações sociais e de poder não é apenas o género com que nos identificamos, mas a nossa origem de classe, as escolhas que fazemos sobre a nossa sexualidade, a nossa pertença étnico-cultural, a nossa diversidade funcional, os territórios que habitamos, as fronteiras que transpomos. Por isso somos do feminismo intersecional, porque articulamos género, classe e “raça”. Todavia, somos da intersecionalidade crítica, porque não nos basta ler a realidade com as várias lentes, se isso não servir para a transformarmos, já que a solidariedade entre as lutas é insuficiente, se dessa articulação não emergir um novo sujeito político capaz de transformar e de romper todas as correntes que constrangem a nossa liberdade.

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